
A tesoura de Átropos
Neuza Ladeira
Arremate o cheiro no ar, mistura de morte e suor transpirado
Cansado logo na visita do intruso.
"O senhor é o meu pastor".
Salmo de alegria tranqüilidade o recital ao amanhecer
Impresso diz principalmente nos cabelos o beijo ainda não beijado
Distinguindo alto dia, alto passo, grade e bactérias
Destruindo o amado o morto o que foi e não voltou
Só o amargo sabor me escapa
Na saudade indefesa naquilo que existiu
No bater das portas ventos ligeiros e zelosos
Cadenciando o desmaio
Naufragaria se real razão, metafórica coincidência,
ainda não me detivesse dizendo ser utopia morta o navegar
ainda em um abraço tido que vivi e devo esquecer!
Enviado por Clevane Pessoa.
Masé Soares